MP denuncia 30 integrantes do PCC por esquema de 'lojas' para distribuição de drogas em Roraima
24/02/2026
(Foto: Reprodução) Operação Fim de Dança cumpiu mandados de busca e de prisão em Roraima e São Paulo.
PCRR/Divulgação
O Ministério Público (MP) de Roraima denunciou 30 pessoas integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) por operar um esquema de “lojas” do tráfico de drogas no estado. O grupo faturava cerca de R$ 1,5 mil por dia, segundo a Polícia Civil.
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A ação penal foi protocolada na segunda-feira (23) na Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí, município ao Sul do estado. Foram denunciados:
Alessandro Monteiro Segadilha, vulgo Noé;
Avenir Martins de Souza, vulgo Paiva;
Carlos Alberto Simião da Costa, vulgo Kaik Vinserlau;
Cláudio Domingos da Silva, vulgo Elias Francisco ou Primeiro Velho;
Darlyson Yuri Roth Pereira, vulgo Mendonça MTX;
Daycileno Allef Crispim Level, vulgo Dunga ou Disciplina Dunga da Zona Oeste;
Eduardo Robson Souza da Silva, vulgo Dingonbel;
Elisvaldo Fonseca da Silva, vulgo Orochi;
Elsilene da Silva Marques, vulgo Cacheada;
Elvis Wilton Carneiro Pinto;
Evandro de Jesus Costa;
Fábio da Silva Maciel, vulgo Sombra;
Fábio Junho Araújo Rosa, vulgo Mente Blindada;
Fagno Silva Arruda, vulgo Brasília;
Flávio Sousa da Silva, vulgo Jerry BDP;
Guilherme Ramos Macedo, vulgo Sabotagem ou Cartiel;
Haylon Emanoel Pereira, vulgo Faíska, Kaká ou Gabriel;
Janildo Oliveira Barbosa Filho, vulgo Mano P ou Chapeleira;
Karen Cristina de Oliveira Menezes Freitas, vulgo Karen;
Keith Anne Gomes da Silva;
Keli Cecilia Brito Carvalho, vulgo Moana;
Larissa dos Santos Valentini;
Leodânia Pereira da Silva, vulgo Helena Silva;
Lilian da Silva Paulino, vulgo Charmosinha ou Preta Rara;
Marcos Paulo Messias, vulgo Davi ou Patrãozinho;
Rodrigo Rocha Ribeiro, vulgo Doideira;
Rodrigo da Conceição Silva, vulgo Patrãozinho ou Pedro Dom;
Thomaz Silva Neves;
Vinícios Eduardo da Silva Carvalho, vulgo Coringa;
Wellington Ventura da Gama, vulgo Kadu, John, Dom ou Da Baixada;
O g1 não conseguiu contato com a defesa dos denunciados.
Os suspeitos foram alvos da Operação Fim de Dança II, deflagrada pela Polícia Civil em novembro do ano passado. A investigação revelou a atuação estruturada do grupo para o comércio de entorpecentes em Roraima, com ligação direta à cúpula do PCC.
Segundo o MP, o esquema funcionava com divisão clara de funções, hierarquia interna e controle rigoroso das 'lojas'. O conjunto de provas contém mensagens de aplicativo, áudios, vídeos e imagens extraídos dos celulares apreendidos durante a operação.
Os criminosos são acusados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a denúncia, a operação da facção em Roraima era administrada por Rodrigo Alberto Xavier, conhecido como "Sorriso Maroto".
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Xavier foi enviado diretamente pelas lideranças do grupo em São Paulo para reestruturar o PCC em Roraima e atuar como administrador estadual do esquema, na função chamada de "Geral da FM". A prisão dele foi considerada o ponto de partida para a maior operação contra facções criminosas da PC no estado.
A principal liderança feminina do grupo e namorada de Sorriso Maroto, Cilara Rodrigues de Souza, conhecida como ‘Kauany’, também já havia sido denunciada por comandar a "loja" de drogas de maior lucro da organização, que movimentava cerca de R$ 36 mil.
Para ocultar os entorpecentes antes da distribuição, os criminosos utilizavam um esconderijo batizado de "cofre central". O local era um recipiente enterrado em uma área de mata na zona rural de Caracaraí, em uma propriedade alugada pela facção, onde foram localizados 3,3 quilos de cocaína enterrados.
Droga foi encontrada em tonel
PCRR/Divulgação
'Lojas' do tráfico
Após saírem do esconderijo, as drogas abasteciam diversos pontos de venda, chamados pelos investigados de "biqueiras", "lojas" ou "lojinhas". Cada ponto possuía um nome específico e um responsável por gerenciar as vendas e prestar contas à cúpula.
Segundo as investigações, pelo menos 55 pontos de vendas foram identificados em diferentes regiões do estado, sendo dez deles apenas em Caracaraí. Cerca de 30% dos lucros ficava com os gerentes de cada ponto, enquanto o restante do dinheiro era enviado para a cúpula da facção em São Paulo.
Entre as lojas e gerentes identificados na denúncia estão:
Rosinha (a de maior lucro): gerenciada por Cilara Rodrigues de Souza, a Kauany
Progresso: gerenciada por Cláudio Domingos da Silva, o Elias Francisco ou Primeiro Velho;
Loja da Baixada: gerenciada por Guilherme Ramos Macedo, o Sabotagem ou Cartiel;
Smocking: gerenciada por Keli Cecilia Brito Carvalho, a Moana;
Boa Vista 2: gerenciada em conjunto por Elsilene da Silva Marques (Cacheada) e Fábio Junho Araújo Rosa (Mente Blindada);
Loja Casarão: gerenciada por Haylon Emanoel Pereira, o Faíska;
Loja Zumbilândia: gerenciada por Janildo Oliveira Barbosa Filho, o Mano P ou Chapeleira
Para maximizar o lucro e despistar a polícia, os denunciados dividiam funções, prestavam contas em vídeos de auditoria enviados aos superiores e usavam códigos para diferentes tipos de entorpecentes.
As drogas eram identificadas nas mensagens como “CLARO” (pasta base), “PEIXE” (cocaína), “VIVO” (maconha prensada) e “OI” (skunk).
Organização financeira
O dinheiro arrecadado era organizado por operadores financeiros. A denunciada Larissa dos Santos Valentini, por exemplo, atuava como uma peça relevante nas finanças ao receber diversas transferências bancárias com valores incompatíveis com sua renda.
Já Marcos Paulo Messias, o "Patrãozinho", era o responsável pelos balanços ou "fechamento das lojas" e realizava auditorias frequentes para controlar as quantias e drogas movimentadas pelos gerentes.
O documento apresentado à Justiça é um desdobramento da Operação Fim de Dança II, que apreendeu dezenas de celulares, cujas conversas e vídeos serviram como base para mapear a estrutura do grupo. A maior parte dos denunciados já se encontra presa no estado.
Veja reportagem sobre a Operação Fim de Dança II:
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