Mãe de vítima agredida por piloto diz que caso pode ter sido alerta ignorado antes de morte no DF: 'talvez outro filho estivesse vivo'

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Pedro Turra, em vídeo divulgado pela defesa Arquivo pessoal/Reprodução "Se tivessem olhado com atenção para o caso do meu filho, talvez esse outro filho estivesse vivo", disse Amanda Azevedo ao g1. A reflexão é da mãe do jovem de 18 anos que denunciou ter sido agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Basso em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 — seis meses antes da morte de Rodrigo Castanheira, vítima de uma briga em Vicente Pires. A mulher enviou ao g1 uma carta direcionada ao adolescente, que passou 16 dias em coma. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O caso do filho dela foi um dos três que vieram à tona depois da repercussão das agressões contra Rodrigo. Para a Polícia Civil do DF, o jovem contou que foi abordado por Pedro, acompanhado de quatro amigos, e levou socos no rosto e nas costelas, além de um "mata-leão". "Dois carros se aproximaram, e cinco homens saltaram, pegando-o de surpresa. [...] Houve uma discussão e, em um suposto ato de pacificação, apertaram a mão dele. [...] Mas, ao virar de costas, meu filho levou um soco, foi derrubado no chão e foi covardemente agredido. Quatro homens protegiam o agressor", narrou a mãe. À época, a vítima registrou ocorrência na 21ª Delegacia de Policia. Mas, segundo a mãe, a família não foi mais chamada para prestar depoimento nos meses seguintes. "Meu filho registrou boletim de ocorrência e realizou tomografias que, graças a Deus, não apontaram nada grave. Ainda assim, eu não dormia todas as vezes que ele saía de casa. [...] Seis meses se passaram e nunca fomos chamados à delegacia", escreveu a mãe. Atualmente, o caso tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal como lesão corporal leve. À reportagem, o delegado-chefe da 21ª Delegacia, Josué Ribeiro, explicou que, em casos de menor potencial ofensivo, as vítimas não são chamadas novamente, a menos que haja novidades significativas. "A versão da vítima já estava registrada e não precisava mais da presença deles na delegacia", disse. Ainda de acordo com o delegado, a Polícia Civil tentou localizar Turra depois do boletim, mas não o encontrou. O piloto só prestou depoimento em 27 de janeiro, depois da repercussão do caso envolvendo Rodrigo Castanheira. Isso porque, segundo o delegado, ele procurou a delegacia para pedir orientação a respeito de ameaças que vinha recebendo. Nesse momento, os policiais aproveitaram para interrogá-lo. O termo circunstanciado foi finalizado e enviado à Justiça no mesmo dia. Em entrevista anterior à TV Globo, a defesa do piloto disse que o caso registrado em junho do ano passado tratava-se apenas de "vias de fatos". Na carta, a mãe da vítima afirma que decidiu tornar o relato público após reconhecer o nome do piloto nas reportagens e passou a se perguntar se uma investigação mais aprofundada naquele momento poderia ter evitado a morte do adolescente [leia na íntegra abaixo]. Como foi a agresssão? Surgem novas denúncias contra o piloto que deixou jovem em coma no DF Na denúncia, a vítima diz que teve um desentendimento com Pedro, no mês anterior, por conta da então namorada do piloto. O boletim não detalha o motivo da discussão. Segundo a vítima, nessa primeira ocasião, não houve violência física. No dia 28 de junho, a vítima estava sozinha em uma praça de Águas Claras quando Pedro chegou acompanhado de quatro amigos. Eles conversaram por cerca de dez minutos e, ao final, o piloto teria dito que "estava tudo certo" entre os dois. A vítima afirma que, ao virar de costas para ir embora, foi surpreendida com um soco nas costelas. O jovem conta ainda que foi derrubado no chão e imobilizada com um golpe conhecido como "mata-leão". Ele diz que conseguiu evitar o enforcamento, mas "levou diversou socos no rosto". Segundo o depoimento, os amigos não agrediram a vítima, mas só interviram após cerca de cinco minutos — momento em que Pedro foi contido e a vítima fugiu correndo. Leia a carta na íntegra: “Hoje, às 7 da manhã, levanto após uma noite mal dormida e resolvo escrever para alguém que nunca vi: Rodrigo Castanheira. O que uma Justiça eficiente poderia ter feito para salvar a sua vida?” No dia 29 de junho de 2025, meu filho apareceu no meu quarto com hematomas no rosto e me contou que havia sido agredido na esquina de casa. A princípio, achei que tivesse se envolvido em uma briga entre garotos, mas ele não saía de casa para brigar. Ele havia sofrido um ataque. Dois carros se aproximaram, e cinco homens saltaram, pegando-o de surpresa. Como sabiam que ele estaria ali, sozinho? Houve uma discussão e, em um suposto ato de pacificação, apertaram a mão dele. Sempre ouvi meu avô dizer que, para um homem de verdade, bastava um aperto de mão. Mas, ao virar de costas, meu filho levou um soco, foi derrubado no chão e foi covardemente agredido. Quatro homens protegiam o agressor. Meu filho apenas tentou se defender. Depois de longos minutos, os amigos do agressor presentes tiraram o Pedro de cima dele, depois de uma amiga de Pedro, aterrorizada com o que estava acontecendo gritar que a polícia poderia chegar. Ou seja, a vida do meu filho ficou nas mãos dos amigos do próprio agressor. Por um breve momento de insanidade, pensei em bater na porta do agressor, que era quase nosso vizinho. Mas logo recobrei a razão e pensei na segurança dos meus filhos — algo que ninguém mais faria por nós. Eu já não tinha emocional para dormir. A pracinha onde eu brincava todos os dias com a minha filha virou o palco da humilhação do meu filho. Meu filho registrou boletim de ocorrência e realizou tomografias que, graças a Deus, não apontaram nada grave. Ainda assim, eu não dormia todas as vezes que ele saía de casa. E quem é da área da saúde sabe: a privação do sono adoece o corpo. Seis meses se passaram e nunca fomos chamados à delegacia. Decidimos falar com a imprensa porque não podemos ser covardes diante da impunidade. Mal há justiça para quem morre; imagine para quem sofre uma agressão. O trabalho da polícia neste país é enxugar gelo: eles prendem, e a Justiça solta mediante fiança. Meu filho está agora no quarto, dormindo. E nenhum sentimento que eu tenha pela polícia, pela Justiça, pelo agressor ou pelos amigos dele trará Rodrigo de volta para a casa de seus pais. Se tivessem olhado com atenção para o caso do meu filho, talvez esse outro filho estivesse vivo.Como psicóloga, sinto tristeza por viver em uma sociedade adoecida, onde dinheiro, aparência e status são colocados acima da maternidade, da educação e da saúde mental. As pessoas estão apenas sobrevivendo, de forma egocêntrica, sem empatia pelo outro. Uma juíza ganha mais para soltar um agressor do que uma professora que poderia ter ajudado a manter esse rapaz na escola. E as mães que escolhem ficar em casa para cuidar dos filhos… essas sequer são valorizadas. Como mãe, sinto alívio pelo que meu filho escapou e compaixão pela mãe que hoje enterra o seu. E, como cristã, sei: há tempo de nascer e tempo de morrer; tudo tem seu tempo determinado debaixo do céu. Sou grata a Deus por ter ecoado no ouvido do meu filho, naquela noite, a minha voz dizendo: “Em caso de agressão, apenas se defenda.” Sei que filhos quase não escutam nessa idade. Se a Justiça dos homens não for feita, que seja feita a de Deus — sem sentimentos de vingança." Adolescente foi enterrado neste domingo Corpo de adolescente agredido por piloto é enterrado no DF O corpo de Rodrigo Castanheira, de 16 anos foi velado na Igreja Batista Capital, no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul, e sepultado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O adolescente morreu na manhã deste sábado (7), depois de 16 dias internado em estado gravíssimo após ser espancado durante uma briga. O agressor, de 19 anos, foi identificado como Pedro Arthur Turra Basso. Inicialmente ele foi preso e liberado após pagar fiança de R$ 24,3 mil, mas a Justiça decretou sua prisão preventiva dias depois. Pedro Turra está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda e permanece em cela individual após relatar ameaças dentro da unidade. O advogado da família de Rodrigo Castanheira, Albert Halex, afirmou nas redes sociais (veja íntegra abaixo) que considera “inadmissível” a forma como o adolescente foi morto. Ele disse que o caso revela uma “maldade revoltante” e criticou pessoas que agem como “donas do mundo”, impulsionadas por sensação de poder e impunidade. O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete Reprodução/TV Globo A defesa de Pedro Turra divulgou nota neste sábado (7) afirmou que a família do piloto “lamenta profundamente o falecimento de Rodrigo Castanheira”. O jovem foi levado para um hospital particular em Águas Claras, onde permaneceu em coma induzido desde a madrugada de 23 de janeiro. Ele não resistiu e morreu neste sábado (7). Durante a agressão, Rodrigo levou uma sequência de socos, caiu e bateu a cabeça na porta de um carro. Ele sofreu traumatismo craniano e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Em nota, o Hospital Brasília Águas Claras confirmou que, 'apesar de todos os esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para a perda completa e irreversível das funções cerebrais'. Agressor preso O agressor foi inicialmente preso e liberado após pagar fiança de R$ 24,3 mil, mas a Justiça decretou sua prisão preventiva dias depois. Pedro Turra está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda e permanece em cela individual após relatar ameaças dentro da unidade. O STJ negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Quando chegou à Papuda, o piloto teve sua foto registrada. Ele estava com a cabeça raspada e o número de registro, assim como os demais detidos que chegam ao sistema prisional. Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), os advogados afirmaram que Pedro Turra estaria 'abatido e profundamente entristecido diante do momento vivido por todos os envolvidos'. A defesa afirma que o piloto demonstrou preocupação com a família, namorada e amigos durante a primeira entrevista com o custodiado. A nota diz ainda que Pedro manifestou 'profundo arrependimento' pelo desenrolar dos fatos narrados, tendo sido sua primeira indagação o estado de saúde do jovem hospitalizado. Jovens trocam socos e murros em Vicente Pires por conta de chiclete. TV Globo/Reprodução A nota diz ainda que lhe foi disponibilizado o livro 'Luz nas Grades', escrito pelo advogado de defesa, e uma Bíblia, "que tem servido como instrumento de reflexão, amparo espiritual e força neste período particularmente difícil". Relembre o caso: ➡️No dia 23 de janeiro, o piloto Pedro Turra e o jovem de 16 anos se envolveram em uma briga. Inicialmente, a defesa disse que a confusão começou após Pedro jogar um chiclete mascado na direção de outra pessoa, mas depois, o advogado afirmou que ciúme por ex pode ter sido a causa da agressão. A polícia apura. ➡️ Turra chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola. E voltou a ser preso preventivamente nesta sexta (30), por ordem da Justiça. ➡️ Pedro Turra já é investigado por quatro denúncias – duas delas de episódios anteriores que só foram levados à polícia após a repercussão da briga recente. São três agressões e uma tentativa de dar bebida a uma jovem menor de idade. Quais são os casos em investigação? Pedro Turra é suspeito de agredir adolescente de 16 anos em Vicente Pires. TV Globo/Reprodução A Polícia Civil também apura outras quatro denúncias envolvendo o piloto, incluindo agressões anteriores que vieram à tona após a repercussão do caso. São elas: a agressão em janeiro contra o adolescente de 16 anos; uma briga em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 (registrada naquele mês); a denúncia de uma jovem que afirma que Pedro a forçou a ingerir bebida alcoólica quando ela ainda era menor de idade; e a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/02/11/mae-de-vitima-agredida-por-piloto-diz-que-caso-pode-ter-sido-alerta-ignorado-antes-de-morte-no-df-talvez-outro-filho-estivesse-vivo.ghtml


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